sábado, 6 de novembro de 2010

Lady Susan - Carta 10 em Português

Lady Susan a Sra. Johnson
Churchill

Sou muito grata a você, minha querida amiga, por seus conselhos em relação ao Sr. De Course. Sei que foi dado com a plena convicção em sua conveniência, mesmo assim, não estou muito determinada a segui-lo. Não posso tomar uma decisão tão séria como o casamento. Atualmente, não estou precisando de dinheiro e, certamente, até a morte de seu pai, obteria pouco benefício dessa união. É verdade que sou vaidosa o suficiente para acreditar que ele está ao meu alcance. Eu o fiz consciente do meu poder e agora posso desfrutar do prazer de triunfar sobre uma mente predisposta a não gostar de mim e cheia de preconceitos contra as minhas ações passadas.
Sua irmã também está convencida, espero eu, do quão mesquinho são os comentários das pessoas em desvantagem de outros, quando contrariam a influência imediata do intelecto e boas maneiras.
Vejo claramente que está desconfortável com o meu progresso em relação a boa opinião de seu irmão, e concluí que não poupará esforços para me combater. Uma vez que tenho feito duvidá-la da justiça de sua opinião sobre mim, acho que posso desafiá-la com êxito. Tem sido um prazer ver o seu progresso em direção a uma maior intimidade, especialmente observando suas reações afetadas em consequência da minha dignidade reservada e minha conduta ante sua abordagem insolente de familiaridade direta.
Meu comportamento tem sido, desde o começo, igualmente restrito, e nunca havia me comportado de maneira tão pouco sedutora em toda minha vida, embora talvez, meu desejo de domínio nunca tenha sido tão forte. Eu o tenho conquistado totalmente, com sensibilidade e conversa séria, e o fiz, ouso dizer, pelo menos meio apaixonado por mim, sem parecer um simples flerte.
A consciência da Sra. Vernon, merece todo tipo de vingança que esteja ao meu alcance infligir por suas manobras perversas, isso bastará para fazê-la perceber que atuo com um comportamento suave e despretensioso. No entanto, deixe-á pensar o que quiser. Nunca vi o conselho de uma irmã impedir um jovem de apaixonar-se, se ele assim o quiser. Estamos avançando agora para algum tipo de confiança, e em breve, seremos envolvidos em uma espécie de amizade platônica. Da minha parte, você pode ter certeza de que não passará disso, porque se já não estivesse envolvida com outro homem, recusaria de qualquer forma, conferir meu carinho a alguém que ousou pensar tão mal de mim em certa época.
Reginald tem uma boa figura e não é indigno do louvor que, como você já ouviu, foi-lhe dado, mas ainda é muito inferior ao nosso amigo em Langford. É menos pólido e menos insinuante que Mainwaring, e em comparação, é deficiente  em dizer aquelas coisas encantadoras que o deixam de bom humor consigo mesmo e com todo o mundo. No entanto, é bastante agradável e me dá diversão suficiente para passar as horas de uma maneira prazerosa, de outro modo teria de me ocupar tentando superar a resistência de minha cunhada e ouvindo a conversa enfadonha de seu marido.
Seu relato sobre Sir James é muito satisfatória e pretendo dar uma alusão de minhas intenções a Frederica de em breve.
Sempre sua:
Susan Vernon

Autora: Jane Austen
Tradução de: Bruna Tavares


2 comentários:

Sagawa disse...

Jane Austen é sensivel!!! gosto dela bastante.... é usado até em filmes alguns trechos de textos dela... é muito interessante ver que as obras dela estão sendo reconhecidas pela 7ª arte...rsrsrs
Muito Obrigado pelo comentário no meu blog^^ rsrs e se quiser algum filme, é só pedir.. beijos e beijos =) vou juntar o seu blog nos links favoritos do meu blog hehehehe =)

Bruna Tavares disse...

Obrigada pela visita e pelo comentário. Seja bem-vindo ao meu blog! Espero que volte sempre.
Abraço

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